MUNDIAL 1981



Muitos achavam que o Flamengo era um time que só conquistava títulos no Maracanã. A Taça Libertadores, vencida no Uruguai, balançou a tese. Depois, o show seria em Tóquio e o Flamengo não precisaria provar mais nada.

Os craques rubro-negros entraram em campo no dia 13 de dezembro de 1981, para enfrentar o Liverpool, vencedor da Copa dos Campeões, pelo Mundial Interclubes, com o objetivo de exterminar uma velha máxima ouvida pelos quatro cantos do Brasil: "o Flamengo é time de Maracanã, só neste estádio mostra superioridade". É verdade que, apenas 20 dias antes, o clube carioca conquistara a Taça Libertadores em Montevidéu, no Uruguai, ao derrotar o Cobreloa, do Chile. Mas pouco importou para os críticos. Para convencê-los, o jeito era superar os ingleses. Com uma grande apresentação, de preferência.

Tudo indicava que não seria fácil. O Liverpool passava por uma fase semelhante à do Flamengo, conquistando títulos seguidos há anos. Por coincidência, a primeira conquista importante, a da Copa dos Campeões da Europa, foi conquistada em 1978, mesmo ano em que o clube da Gávea vencia o Campeonato Carioca, dando início a uma era de ouro em sua História.

Para os especialistas em futebol, o Liverpool levava ligeira vantagem. Em 1981, enquanto o Flamengo vencera o desconhecido Cobreloa na decisão da Libertadores, o time inglês superara Bayern de Munique e Real Madrid nas duas últimas fases - semifinais e final, respectivamente - da Copa dos Campeões. Só que essas teses pouco valeriam em Tóquio. Em campo, como adoram repetir os jogadores, seriam 11 contra 11. Durante o jogo decisivo, aí sim, surgiria o favorito.


Os 62.000 torcedores que compareceram ao Estádio Nacional não tiveram que esperar muito para saber qual era o melhor time em campo. Aos 13 minutos, Zico lançou Nunes que viu a saída desesperada do goleiro Grobbelaar e, ainda fora da grande área, o encobriu para abrir o placar. "Acidente de percurso", pensaram os ingleses. Coitados, mal sabiam que o show rubro-negro estava apenas começando.

Não se pode dizer que o Liverpool não contava com talentos capazes de inverter o rumo da partida. Os habilidosos Souness e Dalglish, dois dos maiores jogadores da história do futebol escocês, poderiam brilhar a qualquer momento, fazendo o Flamengo tremer. Tremer? Presta atenção no time dirigido por Paulo César Carpegiani: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Havia craques por todos os lados, vencê-los era tarefa quase impossível.

E o pior para os ingleses era que Zico estava inspirado, levando à loucura a defesa adversária. Aos 34 minutos, McDermott derrubou Tita na entrada da área e o Galinho se encarregou da cobrança da falta, mandando a bomba que Grobbelaar apenas rebateu. Na sobra, Lico acertou Thompson e Adílio, esperto, estufou a rede: 2 a 0.

O Liverpool bambeou, faltava pouco para ruir de vez. A solução era torcer para que o primeiro tempo terminasse logo, com a intenção de se recuperar dos ferimentos no intervalo. A tática estava acertada, só faltou avisar a Zico e Nunes. Aos 41 minutos, o maior jogador do Flamengo em todos os tempos lançou novamente o centroavante, que avançou e bateu na saída do goleiro.

Pouco depois do terceiro, aos 43, Adilio deu um passe primoroso para Júnior que com um toque de categoria encobriu o goleiro e marcou o que seria o quarto, mas o juiz assinalou impedimento no lance.

Com 45 minutos de antecedência, a taça já tinha destino certo: o Rio de Janeiro.



O segundo tempo foi arrastado, chato mesmo de se ver. O Liverpool não mostrava forças para reagir, limitou-se a ficar na defesa - talvez temendo sofrer uma goleada ainda mais humilhante. Os craques do Flamengo tocavam a bola de pé em pé sem objetividade, envolvendo os combalidos adversários e esperando o tempo passar. O Mengão esteve muito mais perto do quarto, que o Liverpool do primeiro.

Aos 10 minutos em um chute de Andrade quase sai o quarto se não fosse a bela defesa de Grobbelaar.
Pouco depois, em um dos únicos ataques do time inglês no segundo tempo, Raul em uma saida corajosa mostrou que apesar na inoperância do ataque adversário ele estava atento.
Aos 16 em uma bela troca de passes que começou com Zico que passou para Adilio, tocou para Júnior na esquerda que devolveu para Adilio chutar e o goleiro defender.
Aos 26 nunes recebeu pela esquerda, deu um corte e chutou. Grobbelaar espalmou para escanteio.
O Liverpool insistia em lançar bolas para área, mas Mozer cortava todas pelo alto sem nenhum problema.
Aos 44, em um dos últimos lances da partida, Tita enfiou uma bola para Zico mas o juiz marcou impedimento(ou perigo de gol, rs).
Foram 45 minutos de total domínio rubro-negro sobre os ingleses.

Final de jogo e festa no Brasil, o clube mais popular do país conquistava o mundo. Agora, definitivamente, o Flamengo não poderia ser chamado de "time de Maracanã". Afinal, provou ser imbatível em todo o canto, até mesmo do outro lado do planeta.

Eleito o melhor jogador em campo, Zico foi premiado com um carro da Toyota, patrocinadora do torneio. O maior time da história conquistou o maior título da história do Clube, coroando um ano inesquecível, e chegando ao auge de uma geração que viria a conquistar muitos títulos ainda.


SÚMULA - Flamengo 3 x 0 Liverpool
Data: 13/Dezembro/1981 Local: Estádio Nacional (Tóquio/JAP)
Árbitro: Rúbio Vazques (México) Gols: Nunes 13, Adílio 34 e Nunes 41 do 1° tempo.
Flamengo: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Tec.: Paulo César Carpegiani.
Liverpool: Grobbelaar; Neal, R. Kennedy, Lawnson e Thompson; Hansen, Dalglish e Lee; Johnstone, Souness e McDermott (Johnson). Tec.: Paisley.

Subsidio: http://www.campeoesdofutebol.com.br/

2 comentários:

  Sacaneator

13 de dezembro de 2011 20:39

O que mais valeu para o Flamengo na Copa Toyota?

a) A viagem para o Japão
b) O carro para o melhor jogador
c) A ilusão de ser campeão mundial

  Anônimo

16 de dezembro de 2011 00:19

Caro VascaÍNO, faltou a alternativa D, Pau no seu Cu seu viadinho lambe rola!